“Cristofobia” às avessas e traição a Jesus

“Cristofobia” às avessas e traição a Jesus.
Prezada amiga Francisca das Chagas Nascimento

Obrigado pela sua maravilhosa insistência na busca de minha amizade. Olhei sua página no Facebook e me orgulhei de minha nova amiga.

A senhora é profundamente envolvida com as causas de nosso povo. A senhora quebra o paradigma humilhante a que as mulheres foram submetidas durante séculos. Muitas ainda o são, lamentavelmente. O machismo desfigurou a luta feminina por um mundo mais justo e depredou a o heroísmo das mulheres.

Obrigado por sua amizade e parabéns pelo que me ensinará.

A amiga certamente assiste a campanha difamatória, caluniosa, odiosa, preconceituosa e fundamentalista que grupos evangélicos fazem contra os gays, os negros, as religiões de matrizes africanas e contra os pobres.

Outro dia sentei à frente da TV Câmara. Não aguentei os discursos de deputados ditos evangélicos sobre a tal “cristofobia”.

Aliás, a Câmara dos Deputados virou um festival de confusão. Impressionante. Outro dia vi quem presidia a seção passar a palavra para o coronel fulano de tal, depois para o cabo tal. Tive a impressão de que a seção era transmitida de um quartel. Depois foi a fila de deputados pastores tais, que tive a impressão de assistir a transmissão de dentro uma igreja e me preparei para seções de curandeirismos e de “dizimações” – pedidos de dízimos e salvas de palmas ao Senhor Jesus – dos telespectadores.

Subiram à tribuna deputados do PSC, do PMDB, do DEM e de outros seguimentos de direita.

O núcleo dos discursos era a tal de “cristofobia”, termo que ouvi pela primeira vez da boca do “grande” “teólogo” e “intelectual”, deputado Marco Feliciano.

Os oradores que se revezaram nas tribunas mostraram tanto ódio que tive a impressão de uma volta à Idade Média. Pregaram a caçada homofóbica real e sanguinária aos homossexuais.

Buscavam “argumentar” com suas bocas espumantes a criação de uma lei para a caça às novas bruxas, alegando a necessidade de uma lei contra a cristofobia, para dar ferramenta ao judiciário e à polícia para prender e punir os gays.

O pretexto para a senha de ódio era o uso dos símbolos religiosos da passeata gay na Av. Paulista neste mês de junho.

Abusaram do grito de guerra porque gays apareceram simbolizando a crucificação da homofobia e outros dramatizando Jesus em beijos gays.

Daí o “grande” “teórico” inventa o termo “crisitofobia”. O termo se refere a perseguições a Jesus nas pessoas dos “coitadinhos” dos pastores que pregam e incitam ao ódio preconceituoso, homofóbico, perseguição aos gays e aos que os entendem como seres humanos, reconhecendo o direito a serem diferentes e vivenciar diferentemente o amor, fora do padrão binário macho-fêmea. Nessa mesma linha aciona-se o desrespeito às religiões de matrizes africanas, com invasões de seus terreiros e destruição de seus símbolos, bem como o faz o Estado Islâmico, grupo fundamentalista a serviço dos Estados Unidos e de Israel.

A tal cristofobia é uma adulteração do próprio Jesus. O Cristo da cristofobia deles é um medroso – como o indica o sufixo fobia do termo inventado – um covarde, egoísta burguês, que não tem nada a ver com o Jesus de Nazaré.

Os oradores conservadores da Câmara, das TVs e das igrejas caricaturizaram um Cristo fantasma que tem medo da vida, tem medo do amor, sobretudo é um covarde que não luta pelas transformações, libertando o ser humano das estruturas injustas criadas e alimentadas pela classe dominante, a quem os pregadores e suas igrejas servem.

O Cristo aí embutido não é Jesus, mas uma fantasmagoria que serve de ferramenta para a direita respirar um pouco mais, enquanto os sacerdotes do deus mercado massacram o povo.

O Cristo gradeado na cristofobia, na verdade, são os próprios donos de igrejas, que praticam a missão de deformar as consciências para destruir o amor das pessoas, pisar nos adolescentes com o apoio à diminuição da idade penal e com o reforço ao esmagamento dos direitos sociais representado pela terceirização. Tanto que os oradores que cuspiam ódio das tribunas e o derramavam pelas câmeras e microfones da TV e da Rádio Câmara para toda a sociedade integram a malfadada e conservadora bancada evangélica. Muitos deles são eleitores das indecências contra os trabalhadores e os menores de 18 anos. Aqui de Goiás há dois, no mínimo, desses: João Campos e Fábio Sousa. O primeiro é delegado e pastor de uma das tantas Assembleias de Deus. O segundo é filho e membro de um dono de Igreja, de rádios e TVs. Uma família extremamente rica, que certamente se beneficiaria terceirizando os serviços de jornalistas, locutores, faxineiras, seguranças etc. Ambos são neoliberais e filiados ao maior partido de direita no Brasil, o PSDB.

A hipocrisia sobe a níveis teatrais. Os membros da bancada evangélica são antiecumênicos por excelência. Assim, condenam todas e quaisquer representações artísticas de Jesus e dos santos como idolatria. Mas demagogicamente apelaram à Igreja Católica Romana que se somasse a eles na insanidade de perseguir os gays pelo uso de imagens. Isso demonstra que a cristofobia deles é hipócrita e mentirosa, demagogia para engambelar os incautos e chamando os diversos segmentos cristãos para se fecharem nas grades da direita fascista.

Finalmente, a cristofobia é uma balela que esconde o verdadeiro discurso sobre o Jesus que se entregou pelas mudanças de corações, de mentes e de estruturas injustas.

Os pregadores barões e puladores amantes de dízimos não mencionam nenhuma vez o contexto histórico, cultural, político e econômico em que Jesus viveu e as razões da união entre o império romano e setores religiosos judaicos para a sua crucificação. Eles se referem a uma figura criada à imagem e semelhança da manipulação que diminui e aniquila o ânimo do povo para a luta.

Por agirem assim nada dizem e nada fazem em favor das crianças empurradas para os matadouros fétidos com a participação das polícias a serviço de uma classe dominante insensível e desumana, principalmente as pobres e negras.

Com relação aos gays, muitos vítimas de grandiosos preconceitos promovidos por fundamentalistas, expulsos das famílias em razão de sua sexualidade, muitos atraídos pelo tráfego de drogas e de órgãos humanos, nenhuma palavra, nenhum gesto de compaixão.

Nenhuma leitura de boa vontade nos gestos e símbolos usados na Av. Paulista.

Aliás, diga-se de passagem, existiu uma grande e emocionante solidariedade, a feita pelo Padre Júlio Lancellotti, que trabalha com os moradores de ruas e excluídos.

É certo que o Padre Lancellotti afirmou que os gays carregam o Jesus crucificado por que ele está ao lado dos crucificados pelas exclusões, pelas discriminações, pelo ódio de setores que massacram e dividem a sociedade, enquanto os gritões conservadores são contra o povo e o usam eleitoralmente com o objetivo de arrancar dele os dízimos para suas luxúrias e campanhas eleitorais.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
Dom Orvandil: editor deste blog, idealizador e presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Br

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